|
COLONIZAÇÃO ITALIANA
Não foi por acaso que os italianos emigraram para o Rio Grande do Sul. O governo brasileiro, por muito tempo, alimentou a idéia de povoar o Brasil com colonos europeus não portugueses. A enorme extensão territorial do Brasil e o grande vazio populacional em muitas áreas, impunha ao governo brasileiro uma colonização organizada e planejada. Inobstante o intetresse do Império, a legislação específica concernente só surgiu a partir de 1808, quando a corte portuguesa chegara ao nosso país.
Em 28 de janeiro de 1808, a Carta Régia abria os portos brasileiros às nações amigas e, em 25 de novembro do mesmo ano o Decreto dizia: “Sendo conveniente a meu real serviço e ao bem público aumentar a lavoura e a população que se acha muito pequena neste Estado; e por motivos que se foram presentes: hei por bem, que aos estrangeiros residentes no Brasil se possam conceder datas (áreas) de terras por sesmarias pela mesma forma, com que o segundo as minhas ordens reais se concedem a meus vassalos, sem embargo de quaisquer leis e disposições em contrário.
Isso fez com que muitas pessoas, enviadas do governo brasileiro, fossem para a Europa com o objetivo de conseguir interessados a imigrar. Com o objetivo de conseguir o um maior número de interessados, ofertavam viagem para até a colônia de destino, lote rural gratuito, assistência médica, sustento por certo período, auxílio financeiro, ferramentas, sementes, além da liberdade religiosas e nacionalização imediata.
Foi sob esses pretextos, que iniciou a colonização no Brasil, com a chegada dos corajosos alemães em 25 de julho de 1824, em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.
Porém, os verdadeiros interesses econômicos foram ocultados. A Inglaterra tinha decidido acabar com o tráfico de escravos no Brasil e se propondo, para isso, até fazer um policiamento mais ostensivo nos portos e na costa brasileira. O governo brasileiro estava convencido de que a mão-de-obra dos escravos acabaria e a única saída estava concentrada na forte campanha no exterior com o objetivo de conseguir imigrantes colonizadores.
A propaganda na Europa tentando atrair imigrantes para o Brasil, aconteceu no período em que a Itália encontrava-se no auge de uma crise econômica e social. Isso fez com que entre 1875 e 1935, mais de um milhão e quinhentos mil italianos entrassem em território brasileiro.
Com a redução dos preços da produção agrícola e o aumento significativo dos impostos territoriais rurais, além do fracionamento das terras tornaram difíceis, em muitos casos impossíveis, a vida dos agricultores italianos. As vezes, não produziam nem mesmo o suficiente para o sustento da família, quanto mais para pagar ao altos tributos que o Poder Público italiano colocava aos seus patrícios. Este estado de calamidade aliada a impossibilidade de vislumbrar melhoras a curto e médio prazo, muito italianos davam vida a sua imaginação e voavam, tal como uma ave alvissadeira para as terras longínquas do além-mar.
Enquanto isso, no Rio Grande do Sul, mais precisamente na (Serra) encosta do Nordeste e no Alto Uruguai as terras continuavam devolutas, ou seja, improdutivas. Em 24 de maio de 1870, o Presidente da Província do Rio Grande do Sul criou as colônias de “Conde d´Eu” e “Dona Isabel”. Um pouco mais tarde, entre 1875 e 1890, foram criadas as Colônias de Caxias, Alfredo chaves, São Marcos, Mariana Pimentel, Barão do Triunfo, Vila Nova, Jaguari, Ernesto Alves e Silveira Martins.
Oficialmente a imigração italiana no Rio Grande do Sul iniciou em 20 de maio de 1875, com a chegada de algumas famílias nas Colônias de “Conde d´Eu e Dona Isabel”.
A entrada dessas famílias nas duas colônias recem formadas deu-se de forma difícil, pois pouca coisas daquilo que fora prometido, quando do embarque foi cumprido pelas autoridades brasileiras. Mas foi durante a Revolução Federalista, entre 1893 e 1895, que deixou marcas profundas no nosso Estado, paralisando praticamente todas as iniciativas, que o Rio Grande do Sul criou órgãos específicos, voltados para orientar cada imigração e casa colonização. Foi a partir desse fato que as autoridades começaram a acompanhar de perto todo o trabalho infra-estrutura das colônias, tais como, abertura de estradas, picadas, transporte dos imigrantes e demais encargos.
O núcleo inicial de colonização foi se expandindo rapidamente aparecendo, como consequência, Guaporé e Encantado. Da primitiva Colônia de Caxias surgiram os municípios de Caxias do Sul, Flores da Cunha, Nova Pádua, Farroupilha e São Marcos. Já os municípios de Bento Gonçalves, Monte Belo do Sul, Santa Tereza e Pinto Bandeira surgiram da Colônia Dona Isabel. Da Colônia Conde d´Eu originaram-se os municípios de Garibaldi, Carlos Barbosa e Coronel Pilar; da Colônia de Antônio Prado, os municípios de Antônio Prado e Nova Roma do Sul; de Alfredo Chaves, os municípios de Veranópolis, Cotiporã, Fagundes Varela, Vila Flores, Nova Prata, Vista Alegre do Prata, ... Nova Bassano e Nova Araça, Guabiju, São Jorge; de Guaporé, os municípios de Guaporé, Serafina Corrêa, Dois Lajeado, Vespasiano Corrêa, São Valentim do Sul, União da Serra, Montauri, Casca ..........
Nossos antepassados, da FAMÍLIA DE FRANCESCO COLOMBO chegaram em NOVA MILANO, então pertencente ao município de São Sebastião do Caí, hoje um simpático distrito de Farroupilha, nas margens da RS-122 (rodovia Estadual) que liga Caxias do Sul, Flores da Cunha, Antônio Prado, Farroupilha,... a Porto Alegre. |